17.2.14

Mãos ausentes

(hands full, by fading lily)
 
 
 
 
Sempre que a alma, já rendida, se mostra por detrás das palavras que a boca foi calando, tudo quanto doo, vai envolto de uma transparência inata, reveladora e quase pueril. Sou cego imemorável do rasto abobalhado dos meus passos. E disso pouco me importo. Vou fundo, perco-me, excedo-me e denuncio-me nos gestos e nas paisagens em que te dou cor. Só tu não vês. Às vezes percebo-me invisível. Minúsculo, talvez. Embora os meus olhos te nomeiem sempre para dançar, e o pensamento me escape pelos teus recantos, fica sempre um gosto acre e persistente na ausência do encontro sereno das mãos
Carlos Roberto

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