17.2.14

Janela para o passado

(autor não identificado)
 
 
 
Passava-lhe à janela, quase, sem erguer os olhos. Indiferente e fechada por dentro, apenas o reflexo das memórias decoradas em rubro cristal e estendidas pela paisagem, me faziam estreitar a marcha. Pedaços de alma prantados ao sol. E como eram belos.
Foi o tempo, sempre é, que tomou conta dos meus passos e destampou o caminho que abracei, como se fosse o meu também. E era. Um espelho numa terra d
istante, um suspiro que vertia do peito, ou uma história que mais parecia ser minha. Impossível não me revisitar naquele amor derramado, impactante e profundo, vasto como a própria fome. Fome de afetos.
Um brilho nos olhos desconcertava a lógica estática e superficial da razão, por isso o coração voltava, todos os dias, cego e silente, como numa espécie de prece, junto àquela janela com vista para o passado.


Carlos Roberto




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