30.10.13

Dia seguinte

(Daniel A, Donaduzzi)




Parece um cenário quase surreal: ao longe, a luz primeira de um anilado ainda tímido, desnuda languidamente o horizonte adormecido, deixando pelas costas a noite mais longa de que há memórias. E o chão, que da luz emerge, forrado de rosas brancas esculpidas pelo teu olhar, insinua-se janela adentro como se tivesse vontade própria. Querendo ser caminho. E eu sigo, ainda que não me mova do mesmo lugar, mas certo do meu acordar; por onde quer que as minhas mãos vazias se arrisquem, nas tuas acabam sempre por se enlaçar.
Silencio-me num ultimo relance; numa árvore triste de mentira e num pássaro expectante em contra luz, ensaiando o amanhecer bem dentro do meu peito.
É quase meia-noite e tudo não passa de quereres, palavras que deslizam embevecidas pelos olhos dentro. Dizem que o sonho se compõe assim…
Sonharei!




Carlos Roberto

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